O processo de criação e desenvolvimento da obra hipermidiática Downtown 2.0.

Construção ou apropriação? Definindo uma marca para o projeto Downtown 2.0

Em tempos em que muitos criativos se preocupam com a originalidade e buscam por idéias inéditas e únicas, principalmente no que diz respeito a criação de marcas, nós procuramos ousar e provocar. Se você fizer uma busca rápida por criação de marcas vai encontrar empresas oferecendo soluções inovadoras, originalidade, criatividade para produzir o novo, o que se destaque diante dos concorrentes e o que nunca foi pensado antes. Mas nós consideramos isso tudo uma grande bobagem visto que esse é um mero discurso, um texto instituicional focado em vender apenas, afinal como alguém pode garantir que suas criações são algo nunca antes pensado? Como alguém pode garantir a criação de algo realmente novo, original, diverso, nunca antes visto?

Criamos a partir de referências, de um repertório e alinhamos tais referências a busca pela solução ideal para cada projeto, portanto em tudo que criamos nada é totalmente inédito e nunca antes pensado. O processo criativo, os conceitos, os elementos aplicados, as técnicas utilizadas, tudo isso é fruto de um repertório, portanto essa composição final não é totalmente inédita, é repleta de elementos conhecidos aplicados de maneira adequada a chegar a melhor solução para aquele projeto.

Acreditamos que, no contexto do design, a originalidade não está ligada a criação de algo nunca antes visto ou pensado, mas está na habilidade em usar elementos conhecidos, referências e repetório para chegar a solução mais adequada para cada projeto.

E é por não acreditar na reinvenção da roda que decidimos ousar ainda mais com relação a criação da marca do projeto Downtown 2.0 e propor uma apropriação ao invés de uma construção. A proposta prevê a apropriação da marca do metro de Londres, Underground London. A idéia é provocar e gerar uma reflexão sobre esses conceitos de originilidade dentro do design, afinal quem pode questionar  a originalidade dessa escolha quando ela se mostra totalmente pertinente em relação aos objetivos do projeto?

Assim como a arte que após as rupturas modernistas dos anos 60 e 70 deixou de buscar o novo e não se ocupou mais em negar o passado, a apropriação da marca do metro de Londres visa a possibilidade de transitar pelo passado e presente de uma forma mais solta, atualizando fragmentos da memória cultural do público.

A apropriação neste caso mostrou-se como a solução mais adequada ao captar um símbolo mundialmente reconhecido, usando do próprio repertório do público como aliado para fortalecer a marca, e aplicado-o a uma cidade contemporânea fictícia afim de torná-la provocativa e gerar um questionamento sobre o momento atual como é objetivo do projeto.

hhh

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